via weheartit
Gabriela Alves, Brasília.
Em uma de minhas reflexões, acabei chegando a conclusão de que, para o mundo, eu sou uma espécie de vilã. A malvada das histórias que me certam e acontecem. Pelo fato de sempre ter sido e ainda ser uma garota calada e que raramente demonstra o que está sentindo, sempre acabo como a pessoa responsável pela infelicidade. A questão é que, querendo ou não, o mundo nunca quer saber tudo o que tem por trás de cada história, o mundo não faz questão de ouvir os dois lados ou de conhecer antes de julgar, então aquele que mostra o que está sentindo, que faz o papel de vítima, acaba ganhando o papel de mocinho da peça.
Em meu curto tempo de vida e experiências, percebi o quanto o ditado “quem muito fala, pouco faz” é verdadeiro. Pois é exatamente isso que rege praticamente tudo a minha volta. Todos aqueles que fazem tempestades em copo d’água, que estão sempre fazendo questão de que o mundo todo saiba o que estão sentindo são exatamente os que vão embora mais rápido, os que não fazem tanta questão assim. No fundo, eles são desapegados de tudo que não seja uma forma de se fazerem os mais sofridos ou, quem sabe, os mais felizes.
Acontece que eu, sempre aqui calada, vivo em constante conflito. Em alguns momentos me vejo a beira de um ataque ou a beira da insanidade. Pois eu sinto, sinto tanto, sinto muito, sinto até demais. Mas nunca fiz declarações absurdas e diretas. Nunca quis mostrar ao mundo o mar de sentimentos instalado em mim. As palavras escritas ou digitadas sempre foram minha única forma de verdadeiro desabafo. E é exatamente por isso que para todos, a insensível e fria sou eu. Ninguém quer saber se corri atrás, se chorei, se sofri. Querem saber quem falou e demonstrou. E isso é exatamente o que não faço e nem farei. Prefiro ter minha consciência limpa e ter convicção do que sinto ao invés de tentar agradar aos caprichos do mundo e de sua sociedade em que sua maioria sofre da tal “hipocrisia aguda”.
— Gabriela Alves (cpn-☂)
